• Andréa Silveira da Silva

Conheça mais sobre como foi a história do Voto Feminino no Brasil


No dia 24 de fevereiro comemoramos o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil, uma data que começou a ser celebrada em janeiro de 2015, e homenageia a luta das mulheres brasileiras pelo direito de voto no país.


Para quem acompanha a batalha das mulheres por direitos iguais, muitas vezes não imagina quão recente são algumas das conquistas para o gênero feminino do ponto de vista histórico.


Se engana quem pensa que as mulheres participam da política do país há muito tempo, há 89 anos as mulheres eram proibidas de votar, e era permitido exercer o poder de voto apenas as mulheres casadas que tinham autorização do marido, ou para as viúvas que tinham renda própria.


Por isso, vamos contar um pouco da trajetória do Voto Feminino no Brasil, como tudo começou, quem foram as mulheres pioneiras do movimento e alguns detalhes da conquista pelo poder de voto no Brasil. Confira!


Como tudo começou?


A luta pelo poder de voto feminino começou a dar seus primeiros passos juntamente com a Proclamação da República no Brasil, em 1889. Com um novo regime depois de tantos anos, as mulheres passaram a enxergar na mudança a chance de poder participar da política do país, votar ou até mesmo ser votada pela população.


Com a busca por uma nova constituição, o novo contexto trazia esperança para a força feminina, que dariam início a luta pelo direito de voto, e ainda ao fim do pensamento masculino de que votar seria apenas uma questão de capricho.


Em 1890, Josefina Álvares de Azevedo, jornalista do jornal A Família no Rio de Janeiro, se dedicou a divulgar e expandir o sufrágio feminino com uma peça teatral chamada "O voto feminino".


A peça foi feita diversas vezes na cidade do Rio de Janeiro, e ainda aconteceu na França, já que em nenhum país ao redor do mundo, as mulheres podiam exercer o poder de voto.


Então, em 1891, os direitos políticos são debatidos e votados na Assembleia Constituinte, dentre as discussões, a pauta sobre o direito de voto pelas mulheres nem chegou a ser discutida, e foi rejeitada pela Constituição.

Seis emendas parlamentares a favor do voto para as mulheres foram criadas e levadas à Assembleia, mas todas foram rejeitadas pelo motivo de que conceder o direito ao voto feminino poderia ser uma degradação da família e da imagem da mulher.


O sufrágio feminino ao longo dos anos


Sem êxito, o poder do sufrágio feminino começou mesmo em 1910, com a professora Leolinda de Figueiredo Daltro, que fundou e liderou o Partido Republicano Feminino, que realizava manifestações e passeatas que buscam chamar atenção do governo para atribuir o poder de voto para as mulheres.


Passaram se anos sem nenhuma conquista, então Bertha Lutz também passou a se envolver com o sufrágio feminino, além de ser a segunda mulher do Brasil a passar em concurso, criou em 1922 a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que também tinha como umas de suas pautas, o direito ao voto.


Bertha liderou um abaixo-assinado que teve mais de duas mil assinaturas com o objetivo de forçar o Senado a aprovar a lei, mas o projeto ficou esquecido por anos e mal chegou a ser debatido pelos parlamentares.


O começo das conquistas


Em 1927, os primeiros sinais da luta feminina começaram a dar as caras, o estado do Rio Grande do Norte instituiu o poder de votos para as mulheres na região. A professora Celina Guimarães Viana foi uma das primeiras a solicitar e ter sua inscrição como eleitora aceita, o que inspirou muitas mulheres a fazerem o mesmo.


Mas os votos das mulheres foram anulados pelos poderes do Senado, dizendo que o estado não poderia permitir e conceder tal direito sendo que a lei estava sendo debatida dentro do Senado.


Em 1929, também no Rio Grande Norte, foi eleita a primeira mulher prefeita na história do Brasil, afinal, estavam sendo proibidas de votar, mas não de se candidatar, mas acabou perdendo seu mandato com a Revolução de 30, que deu início a Era Vargas no Brasil.


Após o fim da república, o voto feminino foi realmente permitido em 1932, através do governo Provisório de Getúlio Vargas depois de muita luta, mas mesmo assim o voto não era obrigatório para as mulheres, apenas para funcionárias públicas.

Aos poucos as mulheres foram cada vez mais participando da política, em 1933 foi a primeira vez que as mulheres voltaram e puderam realmente ser votadas, o que elegeu a primeira deputada mulher no país. Em 1934 finalmente foi determinada na Constituição a lei que todo cidadão sem distinção de gênero maior de 21 anos, poderia votar.


Nós da Quintal admiramos e enxergamos a luta das mulheres nessa época como um dos principais pilares por todas conquistas alcançadas no gênero feminino, e hoje buscamos potencializar e encorajar ainda mais a força feminina por direitos iguais.